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Cupping (ou terapia com ventosas), Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa

Desde o aparecimento de fotografias tiradas nas últimas olimpíadas realizadas no Brasil, onde surge o tronco do nadador mais medalhado de sempre, (para os mais distraídos: Michael Phelps), ponteado com umas estranhas manchas circulares de tonalidade arroxeada, que o cupping saltou de um aparente desconhecimento total para ribalta.

Mas afinal em que consiste e quais os benefícios do cupping para o organismo, e já agora, porque é que cada vez mais famosos se socorrem desta técnica milenar para as suas maleitas?

Por partes:

O cupping é uma técnica englobada no vasto conjunto de ferramentas utilizadas no âmbito da Medicina Tradicional Chinesa, que aparece lado a lado com a acupuntura, a fitoterapia, a dietética, a auriculoterapia, a moxabustão, etc. Já agora, importa mencionar que cupping é um estrangeirismo usado para designar uma terapia realizada com recurso à utilização de ventosas – ou mais vulgarmente designada – ventosaterapia.

E sim, é verdade que o cupping foi recentemente descoberto por um conjunto de celebridades que por razões relacionadas com a exposição pública a que estão sujeitos, gerou uma onda “pró-cupping”, mas a verdade é que esta técnica tem pelo menos a mesma idade da Medicina Chinesa, que as publicações e textos antigos situam à cerca de 2000 anos atrás… Aliás se tiver oportunidade de falar sobre o assunto com qualquer terapeuta de Medicina Tradicional Chinesa ou Acupuntura, a grande maioria irá referir que inclui naturalmente esta técnica de modo frequente na sua consulta regular… Aliás, pergunte também ao pai, mãe, avô ou avó se não se recordam de, em tempos, um certo indivíduo, vestido de bata branca, dado pelo nome de Sr. Dr., ou apenas médico, recorrer à utilização de ventosas para o tratamento de tuberculose.

Surge portanto a questão – será o cupping é uma panaceia universal para todas e quaisquer doenças? A resposta mais objectiva tem apenas uma sílaba, e é fácil de pronunciar: NÃO.

A terapia com ventosas pode ser aplicada de forma efectiva num número razoavelmente vasto de patologias, mas desconfie de quem lhe disser que é a solução para todos os males… Para percebermos o porquê da sua melhor adequação a algumas patologias do que a outras, é necessário perceber primeiro o fundamento da sua utilização: a ventosaterapia é uma técnica não invasiva que tira partido da criação de zonas de sucção sobre a pele, obtidas pela criação de uma pressão negativa (o vácuo). Fisiologicamente, o processo associado com a aplicação de técnicas de massagem localizada, promove a movimentação do sangue e fluídos adjacentes, acelerando a recuperação dos tecidos, reduzindo ao mesmo tempo os processos inflamatórios.

Ainda de acordo com a teoria da Medicina Tradicional Chinesa, a terapia com ventosas ajudam a purificar o sangue. É vulgar o terapeuta recorrer a esta estratégia, quando durante o diagnóstico diferencial se observa a condição de bloqueio energético e “sangue estagnado” – que genericamente se associa ao excesso de impurezas e a uma condição de toxicidade sanguínea. Como já foi dito neste artigo, a técnica pode aplicar-se a um conjunto diverso de patologias e condições de saúde – há, por exemplo, quem tire partido da ventosaterapia para tratamentos estéticos, como a condição de celulite localizada, mas se tivéssemos de enumerar as patologias mais frequentes, não poderíamos deixar de fora a sua aplicação no tratamento de dores musculares generalizadas, por exemplo nas lombalgias, ciatalgias, dores articulares, contraturas e tensão muscular, onde a  maioria dos pacientes refere a melhoria da sintomatologia quase de imediato, mas também em problemas digestivos, como por exemplo na prisão de ventre e ainda para combater algumas tipologias de cefaleias.

A sua utilização não é desprovida de efeitos secundários, sendo o mais frequente e visível a equimose que se forma após a utilização da ventosa, que genericamente desaparece ao fim de alguns dias. Também no que concerne a contraindicações, é importante mencionar que a ventoasterapia é desaconselhada em casos de pacientes a realizar tratamentos com anticoagulantes orais, pessoas com pele atópica e reactiva, psoríase ou ainda na presença de úlceras cutâneas ou feridas.

Como sempre, recomendamos que caso decida optar por esta abordagem terapêutica, discuta previamente todas as opções com o seu clínico responsável. Na maior parte dos casos, conseguirá melhores e mais rápidos resultados recorrendo a uma terapêutica combinada de diversas técnicas da medicina tradicional chinesa como a acupunctura, moxabustão a fitoterapia e a dietética.

Celebridades fãs de Cupping:

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