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Alergias, Primavera e Medicina Tradicional Chinesa

Agora que começou a primavera, há uma ou duas coisas que deve saber acerca das alergias sazonais, e da forma como a Medicina Tradicional Chinesa, a Acupuntura e a Fitoterapia o/a podem ajudar durante esta fase.

A primavera é a estação do sol, do amor, dos passarinhos e da fulgurante beleza dos campos verdejantes. Mas é também a estação dos pólenes, dos espirros, dos ataques descontrolados de asma, da rinite, dos olhos vermelhos e lacrimejantes, dos narizes fungosos, isto para referir apenas alguns dos sintomas com que esta estação do ano gentilmente nos brinda…

Não quer isto dizer que noutras alturas não possamos sofrer das mesmas maleitas, mas de facto, a incidência dos problemas de saúde aqui referidos, aumentam desmesuradamente nesta altura do ano.

São fundamentalmente patologias que afectam o sistema respiratório e imunitário, com manifestações maioritariamente agudas que com o passar do tempo se podem converter definitivamente em crónicas.

Antes de uma batalha é necessário conhecer o inimigo!

Quando referimos a sintomatologia anterior e a relacionamos, (por exemplo), com esta época do ano, – salvo situações específicas ou particulares relacionadas com factores fisiológicos individuais, – estamos a falar de alergias – e de forma leiga, podemos afirmar que uma alergia mais não é do que uma reacção exacerbada de defesa do organismo…

Alguns inimigos comuns de pessoas alérgicas, (leia-se – alguns dos alergenos capazes de desencadear respostas violentas e que motivam muitas das alergias conhecidas):

  • os polenes;

  • os pelos dos animais;

  • os ácaros;

  • o pó;

  • esporos de árvores e plantas;

  • fungos como o bolor;

  • a vulgar erva dos jardins;

  • alguns fármacos (medicamentos);

  • alimentos;

  • picadas de insectos;

Quando contactamos com um qualquer alergeno (por exemplo algum da lista anterior), o organismo desenvolve então um conjunto de acções que visam expulsar o invasor. Essas acções manifestam-se habitualmente por meios mais ou menos conhecidos (por exemplo através de reacções inflamatórias), e mais ou menos naturais do organismo (ver lista abaixo).

Manifestações alérgicas mais comuns:

  • Eczema atópico;

  • Reacções a medicamentos;

  • Vermelhidão ocular;

  • Alergia a alimentos;

  • Tosse;

  • Rinite (Rinite alérgica);

  • Intolerâncias alimentares;

  • Reacções cutâneas (comichão, vermelhidão)

  • Asma;

  • Obstrução nasal;

Naturalmente, uma via possível de tratamento passará desde logo por se isolar do alergeno, o que é efectivamente fácil, quando estamos a falar por exemplo da alergia ao pelo do gato de um amigo… Evitar ir a casa do amigo onde está o foco alérgico será sem dúvida a melhor forma de prevenção da alergia, mas há situações em que não conseguimos isolar-nos do alergeno – por exemplo no caso das alergias sazonais que motivaram este artigo. – É literalmente impossível evitar que os polenes nos entrem nariz dentro, (literalmente), logo que o tempo começa a ficar um pouco mais quente.

Claro que podemos sempre optar por usar uma máscara, mas quando temos de sair num encontro romântico com a namorada ou namorado? – iremos mesmo usar a tal máscara? Talvez não, e ainda assim, nada nos garante que a máscara será eficiente o suficiente para manter no seu exterior os microscópicos polenes.

Passamos então à segunda fase – os anti-histamínicos. Que entenda-se, já não são efectivamente uma das linhas de defesa, considerando que não evitam ou previnem o contacto com o alergeno, mas destroem isso sim a “nossa” defesa. Estes medicamentos visam combater os efeitos da histamina, uma substância produzida pelo nosso corpo para nos ajudar (sim, AJUDAR) a expulsar os alergenos do nosso organismo. E nós, o que é que fazemos quando estamos perante uma crise alérgica – tomamos precisamente ANTI-histamínicos…

Ou seja, tomamos umas coisas que são ANTI-(aquela substância que nos ajuda a expulsar alergenos)… Sim, há casos em que tal se revela necessário para podermos “funcionar” normalmente. Os sintomas histamínicos podem ser violentos, e há por vezes a necessidade de refrear o nosso sistema imunitário.

Resta a imunização!

A imunização consiste na tentativa de reeducar o nosso sistema imunitário, que é como quem diz, – Olha lá “sistema imunitário”, estás a ver os tipos de camisa encarnada? – não só não os podemos deixar chegar à nossa baliza, como é na baliza deles que temos de marcar golo… (fica a metáfora futebolística sem qualquer relevância clubística).

Ponderada a equação, para cada um dos alergenos podem ser apresentadas algumas medidas específicas para prevenção e tratamento.

Para o pólen, por exemplo, convém começar por lavar bem o nariz com água do mar, usar corticosteróides nasais para combater a obstrução nasal e eventualmente anti-histamínicos. Para as alergias ao pelo animal, primeiro evitar estar na presença de, depois lavar o animal com frequência e escovar para remover o pelo solto [ver].

Em última instância e perante qualquer tipo de crise alérgica, em situações muito graves de anafilaxia, os cuidados médicos de emergência são fundamentais.

Posto isto e depois de reforçar que em caso algum deve descurar os conselhos do seu médico especialista, apresentamos-lhe a visão da Medicina Tradicional Chinesa.

Na óptica da Medicina Tradicional Chinesa, viver em harmonia com o ambiente é a forma privilegiada para evitar a doença. De acordo com a teoria da MTC, as desarmonias podem ser causados por diversos agentes externos como o frio ou o calor que por seu turno provocam distorções no fluxo energético.

O diagnóstico de acordo com a Medicina Chinesa é complexo envolvendo diversos parâmetros, mas não sendo esse o âmbito desta publicação, iremos reduzir o fenómeno alérgico ao envolvimento da condição “vento” (em sentido figurado). O agente “vento” assim identificado provoca um desequilíbrio no fluxo de energia (ou qi), manifestando-se por exemplo nível do pulmão. O pulmão, por sua vez, surge como responsável por uma forma de “energia defensiva”, wei-qi que protege precisamente o organismo de agentes como o “vento”, criando ainda mais caos.

Mais – ainda de acordo com a teoria da Medicina Chinesa, a Primavera aparece ligada ao orgão Fígado, associado entre outros e neste exemplo em particular, à exacerbação sintomatológica.

A Medicina Chinesa, através das suas técnicas como a acupuntura, a fitoterapia, o qi-Gong, e a dietética, irá procurar restabelecer este equilíbrio, eliminando o bloqueio e repondo o “normal” fluxo de qi.

Ao nível dietético, a MTC recomenda que se evitem alimentos frios e “que contribuem para a produção de muco”. A evitar: iogurte e lacticínios, em especial os frios. A reforçar: saladas (no tempo mais quente), sopas (por causa dos vegetais e verduras), alimentos de fácil digestão.

Ao nível da estratégia para a acupuntura, são referidos casos em que é conseguida a remissão total da sintomatologia aguda, mas como é natural e expectável, tal depende da complexidade da síndrome em questão. Para os casos crónicos é porem fundamental o apoio da intervenção das plantas – os fármacos desta medicina. Não por isso de estranhar que plantas como a Schizonepeta tenuifolia, Angelica dahurica, Bupleurum exaltatum, ou as pétalas da magnólia entre tantas outras, incorporam ainda hoje as formulações farmacêuticas usadas para libertar os bloqueios energéticos causados pelos alergenos ao nosso organismo.

Para quem não vem desta área científica, não é fácil entender a forma de actuação desta Medicina milenar, do mesmo modo que para aqueles que são, é um desafio tentar explicá-la de forma objectiva. Tal acontece essencialmente porque não fomos educados para compreender o seu raciocínio e/ou a cultura oriental, mas saiba que desde há milhares de anos, a Medicina Chinesa é utilizada com sucesso para tratar todas as patologias que consiga imaginar, entre as quais os fenómenos alérgicos.

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