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Porque dormimos tão mal – Os problemas de sono e possíveis soluções

Este texto corresponde a primeira parte de um artigo onde iremos abordar as dificuldades de sono, as suas causas e efeitos, bem como o seu tratamento recorrendo a terapias alternativas ou complementares (medicina chinesa e acupuntura).

Parte 1 – Identificando as perturbações de sono mais comuns, as suas causas e consequências.

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“Durmo mal e não consigo perceber porquê”…

De acordo com a Associação Portuguesa do Sono, um em cada cinco Portugueses apresenta dificuldades de sono. Se pensarmos exclusivamente na qualidade do sono, um estudo da DECO sobre a qualidade de sono, refere que 3 em cada 10 Portugueses sofrem com este tipo de problemas. Contas feitas são 3 milhões de pessoas que enfrentam diariamente este tipo de dificuldades (apenas) no nosso país.

O que é uma noite bem dormida? Qual o padrão ideal de sono?

De um ponto de vista meramente fisiológico, qualquer um de nós, assumindo chegar à cama a horas “saudáveis”, acordaria descansado 7 a 9 horas depois. Infelizmente e em mais casos que o desejável, não é isso que acontece!

Não só o padrão de vida moderna alterou determinantemente a nossa cultura de sono, como também um conjunto de novos elementos influenciam directamente o tempo que dedicamos ao descanso, quer sobre o ponto de vista do período de sono em si, mas também no que respeita à qualidade desse tempo.

Afinal, quantas horas de sono são precisas?

Há naturalmente excepções no que concerne ao número de horas de sono necessárias para o restabelecimento do organismo. Existem, por exemplo, indivíduos que de um ponto de vista fisiológico não tem necessidade de dormir tantas horas como os demais. São aquelas pessoas que dormem quatro ou cinco horas por noite e acordam “frescas como alfaces”, conseguindo repetir esse padrão dia após dia. Depois existem também aqueles que dormem menos, mas em que essa supressão do sono é causada por questões relacionadas com alterações biológicas, nomeadamente induzidas pelo envelhecimento celular. A este respeito, refira-se que é frequente à medida que envelhecemos o sono tornar-se mais irregular – pessoas mais idosas tendem a acordar mais frequentemente durante o sono, apresentando também mais facilidade em adormecer.

Nesta dinâmica, a duração e qualidade do sono são duas características igualmente relevantes para a qualidade de vida do indivíduo. Tal significa que de pouco vale dormir muito, se esse sono não for de “qualidade”. Por outro lado, esses dois parâmetros acabam por influenciar determinantemente as actividades diárias que ocorrem após a fase de descanso, no dia e dias seguintes, com a agravante (ou não) do seu efeito cumulativo.

A explicação para esse efeito é (relativamente) simples: durante o sono são produzidas hormonas e outros sinalizadores químicos que suportam processos biológicos fundamentais para o organismo. Alguns desses efeitos de reposição fisiológica incluem funções tão diversas como a reparação muscular, a regulação e regeneração imunitária (durante o sono são libertadas citocinas que medeiam processos inflamatórios), bem como outros relacionados por exemplo com a remoção de radicais livres, ou mesmo a formação e consolidação da memória.

Qual ou quais os motivos para dormir mal?

Perante os factos, importa pois saber porque dormimos tão mal! Se para a população mais idosa a má qualidade de sono tem uma explicação mais directa e suportada pelo envelhecimento celular, nas franjas de população mais jovem registam-se também desafios com a qualidade e duração do sono, predominantemente marcados pela presença de insónias e/ou dificuldade em adormecer.

Comecemos então por identificar as manifestações patológicas mais frequentes da qualidade do sono dos pacientes:

  • Insónia
  • Narcolépsia
  • Apneia do Sono
  • Síndrome das Pernas Irrequietas
  • Disfunções do Ciclo Circadiano

(continue a ler para uma breve explicação de cada uma destas afecções do sono)

Insónia

A insónia engloba quer a dificuldade em adormecer quer a dificuldade em manter o sono (passar a noite sem acordar). Tipologicamente identificam-se a Insónia de Curta Duração, a Insónia Aguda ou a Crónica. Esta última manifesta-se durante longos períodos que podem durar semanas ou meses e a sua classificação assenta no pressuposto da sua ocorrência em pelo menos três dias durante a semana, durante pelo menos um mês. Já causas da Insónia são diversas e podem aparecer como resultado de situações tais como: stress, depressão, crises de ansiedade permanente, doença (por exemplo dor crónica), factores ambientais, toma de medicamentos, etc.;

Apneia do Sono

A Apneia do Sono é a perturbação respiratória do sono mais comum. Corresponde à condição em que o paciente pára temporariamente de respirar durante o sono, motivado pela obstrução dos músculos da garganta.

Nestas circunstâncias, o sistema nervoso não envia os “sinais” correctos para os músculos respiratórios ocorrendo um relaxamento excessivo dos músculos da faringe.

Os episódios são frequentemente assustadores porque podem resultar em períodos de apneia que vão desde os 10 segundos a 1 minuto ou mesmo mais… É uma condição que se verifica mais frequentemente entre os homens, particularmente aqueles que sofrem de excesso de peso, fumadores (ou ex-fumadores), pessoas que sofram de diabetes ou com pressão arterial elevada.

Narcolépsia

A Narcolépsia é uma condição neurológica que se manifesta pela incapacidade do indivíduo se manter acordado mesmo durante os períodos de vigília (por exemplo durante o dia).

Algumas das causas que podem estar na origem desta condição incluem a privação do sono, o abuso de drogas (ou álcool), a existência de patologia neurológica, excesso de peso, a constituição genética, e /ou a toma de medicamentos.

Síndrome das Pernas Irrequietas

O Síndrome das Pernas Irrequietas corresponde a uma desordem do sistema nervoso que faz com que a pessoa tenha uma constante necessidade de movimentar as pernas durante o sono, para aliviar um desconforto momentâneo. A necessidade de movimentar um membro não é exclusiva para os membros inferiores, sendo porem estes, os mais afectados.

As suas causas são ainda maioritariamente desconhecidas, mas sabe-se que ocorre com maior frequência entre indivíduos que sofrem de Doenças tais como Doença de Parkinson ou Narcolépsia;

Disfunções do Ciclo Circadiano

Este tipo de disfunções englobam condições em que os ciclos de sono e de vigília não estão padronizados. A pessoa pode por exemplo ter sono durante o dia e por oposição o seu período de maior actividade (período de vigília) ocorrer durante a noite.

Algumas das causas mais frequentes para esta situação incluem as alterações de turnos para quem trabalha neste regime laboral, o jet lag para os viajantes de longas distâncias (que sofrem de forma crónica com a dificuldade em padronizar o sono em função da alteração de fuso horário), a toma de medicamentos, alteração de rotinas ou mesmo patologias tais como as Doenças de Alzheimer ou Parkinson, entre outras;

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Das causas para as consequências da privação de sono

No que concerne às consequências da privação do sono, podemos considerar num primeiro plano aquelas mais visíveis, tais como a falta de energia, a dificuldade de concentração ou as alterações de humor, (…), mas também outras, menos imediatas, que sub-repticiamente se vão instalando deixando a sua marca no organismo. Neste âmbito, não podemos deixar de mencionar algumas patologias do sistema nervoso, que agem simultaneamente como causas e consequências de problemas de sono.

Se por um lado as patologias psicológicas e/ou psiquiátricas tais como a Depressão ou a Ansiedade podem causar alterações ao nível da qualidade do sono, há também evidência científica do oposto – uma fraca qualidade de sono pode provocar o aumento da morbilidade psicológica do indivíduo.

Um dos perigos mais relevantes associados aos transtornos do sono resultam do facto de as suas consequências nem sempre serem percebidas como patológicas, o que representa uma barreira subtil ao seu tratamento.

Pensemos a título de exemplo na sonolência diurna, na falta de energia, irritabilidade ou humor depressivo, que acabam depois por se reflectir na capacidade (ou incapacidade) de nos relacionarmos de forma saudável e equilibrada com o próximo. Ou ainda nos deficits de funções orgânicas ao nível da concentração, raciocínio e memorização que surgem como secundários à má qualidade do sono. Quantas vezes nos esquecemos de ponderar se um deficiente rendimento escolar das nossas crianças não estará, efectivamente, relacionada com a má qualidade de sono e portanto com a incapacidade em processar e reter a informação recebida?

Muito outros exemplos poderão ser aqui apontados como causas de noites mal dormidas com consequências que vão muito para além da nossa própria capacidade para os identificar como tais…

Não é fácil encontrar bons exemplos de pessoas que dedicam ao descanso nocturno a atenção e o carinho que ele merece. É verdade que quando somos mais novos, crianças e mesmo adolescentes, muitos pais ainda se preocupam em garantir que os seus filhos tem um adequado período de sono, quer em qualidade quer em quantidade. Agora perguntemo-nos: quantos desses (mesmos) pais, investem na sua própria qualidade de sono, como entendem ser importante para os filhos?

As questões de sono são fundamentais nas sociedades modernas, onde tudo é para ontem, onde o tempo não espera por ninguém e tudo ocorre à velocidade da luz. Um sono descansado representa na maioria das vezes um conjunto de benefícios de saúde acrescidos para o indivíduo, que infelizmente, nem sempre são percebidos como resultado dessa acção directa.

Na próxima parte deste artigo iremos explorar a contribuição das Terapias Não Convencionais, nomeadamente da Acupuntura e da Medicina Chinesa para uma boa qualidade de sono. Já agora, e caso lhe interesse, poderá também consultar o nosso artigo acerca das soluções naturais para combater as dificuldades de sono.

Ir para a segunda parte do artigo:
O que fazer quando dormimos mal – a contribuição da Acupuntura e da Medicina Chinesa para um soninho descansado!

A Clínica Médica do Porto recomenda:

Em qualquer circunstâncias ou em caso de dúvida deverá sempre consultar o seu clínico assistente, ele melhor do que ninguém saberá aconselhá-lo/a da melhor forma…

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