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Se o stress provoca dor? A resposta a esta pergunta é afirmativa – SIM, provoca! E, infelizmente, não é à toa que se apelida vulgarmente o Stress de o inimigo silencioso. Neste artigo explicamos-lhe a forma como o stress afecta a articulação, os seus sintomas e consequências.

Dor, Stress e a Articulação Temporomandibular

Ainda que não se dê conta disso, pode acreditar que o Stress é o responsável em primeira instância por muitas das maleitas que se apoderam do seu organismo!

Felizmente, e em alguns casos específicos, conseguimos atribuir ao Stress, de forma mais ou menos directa, alguma da sintomatologia que manifestamos e assim tentar perceber a melhor forma de amenizar os seus efeitos nefastos.

Tenha em mente porém que resolver os efeitos do Stress não é o mesmo que eliminar a causa subjacente e que em qualquer circunstância deverá ser esse o foco do seu trabalho interior – eliminar a causa de Stress – ou quando tal não é possível, aprender estratégias eficazes para aliviar o seus impactos!

Para referir apenas alguns exemplos com os quais se vai certamente identificar, tente recordar se as suas dores de cabeça ou o barulho repetido vezes sem conta no seu ouvido (cliques, zumbidos ou tinitus), a dor no seu maxilar ou mesmo a rigidez da sua mandíbula, apareceram ou incrementaram a sua intensidade depois de um período de stress!

Se está a ler este artigo, pressupomos que provavelmente a sua resposta à questão anterior é afirmativa e nesse caso temos duas coisas para lhe dizer:

– Se se revê na sintomatologia mencionada anteriormente, é muito provável que sofra de Disfunção Temporomandibular, e;

– Embora se trate de uma Disfunção de diagnóstico não imediato, não está sozinho nesta luta.

Aquilo que sente não é fruto da imaginação – os cliques no maxilar são reais, a dor quando abre e fecha a boca também, assim como uma eventual relação da Disfunção com a dor de cabeça só surgirá quando começar a prestar atenção aos momentos em que se manifesta… 

Nas Disfunções Temporomandibulares os fatores psicosociais e emocionais têm sido enfatizados e identificados os mecanismos que justificam esta relação, tanto a nível das manifestações sobre a musculatura como a nível da tolerância aos sintomas, ainda quando estes sejam provocados por outra causa (“Fisioterapia en el trastorno temporomandibular”). Por esse motivo, podemos de facto afirmar a existência de uma associação entre o Stress e a Disfunção Temporomandibular, relação que exploraremos em maior detalhe nos parágrafos seguintes.

O Que é a Disfunção Temporomandibular

Começamos por catalogar a Disfunção Temporomandibular [abaixo DTM] como uma patologia Multifatorial. Tal significa que existe habitualmente mais de um factor causal a contribuir para o seu aparecimento.

De entre a multiplicidade de factores, os autores Pérez Fernández e Parra González destacam, pela sua importância, no seu livro “Fisioterapia en el trastorno Temporomandibular”, os cinco que enumeramos abaixo:

  • Stress emocional ou Distress;
  • Traumatismos pontuais importantes ou microtraumatismos de repetição;
  • Atividades parafuncionais, (actividades sem uma finalidade funcional, como bruxismo, onicofagia (mordiscar das unhas), mastigação repetitiva de objetos)…;
  • Oclusão dental ou outra forma anómala de encaixe dentário;
  • A relação directa com a dor crónica.

Por outro lado, a DTM surge naturalmente integrada nas Disfunções Músculo-Esqueléticas, envolvendo as Articulações Temporomandibulares [ATM], os dentes e as estruturas anexas (músculos, tecidos de suporte, etc), justificando-se também por isso a sua amplitude de sintomas.

Sintomas mais característicos da Articulação Temporomandibular

  • Dor ao mastigar ou mover a mandíbula;
  • Sensibilidade generalizada da musculatura mastigatória;
  • Estalidos na articulação;
  • Limitação na mobilidade mandibular;
  • Sons ou dor perto dos ouvidos;
  • Dor de cabeça;
  • Dor cervical;
  • Diminuição da qualidade do sono;
  • Etc.

Estima-se que a DTM afecte entre 5 a 12% da população, e a afecção constitui a segunda condição músculo-esquelética mais incapacitante, sendo unicamente ultrapassada pela dor crónica lombar. Manifesta-se sobretudo na idade adulta, particularmente entre os 20 e os 50 anos, com uma ligeira incidência aumentada no sexo feminino.

Pese embora a inferência do facto de que a grande maioria dos sintomas podem ser objectivamente originados ou intensificados por diferentes factores, no âmbito do presente artigo iremos conferir um especial destaque ao STRESS, por ser aquele que, de entre todos, mais facilmente está ao alcance do nosso controlo individual.

Das Funções do Stress no Organismo

Ao escolher uma de entre várias definições que podemos utilizar para descrever Stress, iremos optar por aquela que associa o Stress à resposta do organismo, a acontecimentos que provocam desequilíbrios biológicos e fisiológicos, com manifestações mais ou menos visíveis ao nível do nosso bem-estar.

Olhando para esta definição, não podemos inferir que o o Stress é algo mau! O Stress é em primeira instância uma resposta necessária para a nossa sobrevivência, preparando-nos para enfrentar com sucesso diferentes situações que levam o nosso organismo a uma situação limite – deste modo pode e deve ser entendido como um processo fisiológico e natural que nos prepara para a ação.

Pense por exemplo no Stress antes de uma prova importante. Dirá que nessa circunstância o Stress só lhe fez mal porque o deixa nervoso/a e lhe tolda o raciocínio… Mas não se pode esquecer que o precisamente aí, o Stress obrigou o seu organismo a libertar um conjunto de mediadores químicos que o mantiveram mais desperto e alerta, com maior rapidez de processamento neural e motor, pelo menos até ao ponto em que tal se tornou excessivo.

O problema surge precisamente quando o Stress se estende no tempo ou é excessivo, mantendo as células num estado de tensão prolongada, nesse caso denominando-se tecnicamente de Distress.

Podemos por isso afirmar que o Distress aparece quando o organismo se revela incapaz de se adaptar a uma nova situação, respondendo de forma exagerada ao estímulo que essa mesma situação provoca. Por seu turno, este Distress não resolvido e arrastado no tempo pode dar origem ou agravar doenças, de entre as quais se destaca para o efeito, a Disfunção da Articulação Temporomandibular. 

Vale a pena mencionar que nem só os acontecimentos negativos causadores de Stress, tais como por exemplo uma separação, a morte de um familiar ou a manifestação de uma doença aparecem como culpados pelo surgimento do Distress. Com efeito, também acontecimentos positivos, tais como o nascimento de um filho, uma ascensão laboral ou uma mudança de residência desejada podem originar a situação de Stress (ou Distress).

A propósito desta matéria, e se tal lhe despertou a curiosidade, os acontecimentos stressantes causadores de patologia foram identificados em 1967 por dois Psiquiatras (Holmes e Rahe) e posteriormente sistematizados numa escala conhecida por “Escala de Stress”. [Se gostava de saber mais acerca da relevância e propensão de uma determinado acontecimento para provocar Stress e patologia subsequente, consulte este link

De acordo com estes autores, qualquer mudança de vida que exija muitas readaptações pode ser interpretada pelo organismo (e pelo paciente) como um acontecimento stressante e nesse sentido, causador de disfunção patológica.

Voltando ao tema, além de ser um dos factores causadores de Disfunção Temporomandibular, o Stress, também aparece frequentemente associado a casos de Bruxismo – uma atividade parafuncional, diurna ou noturna, caracterizada por apertar, tensionar ou ranger de dentes. A sua menção a este propósito aparece aqui para reforçar que o Bruxismo, por seu turno, é igualmente uma das condições que podem originar a Disfunção Temporomandibular.

A experiência clínica e a investigação têm concluído que o melhor tratamento para a DTM é multidisciplinar. As recomendações atuais determinam que o tratamento de um paciente com DTM deve centrar-se numa fase inicial em técnicas mais conservadoras tais como a Fisioterapia, antes de se ponderar a evolução para outras mais invasivas, quer seja pelos efeitos adversos da terapia farmacológica, quer pela irreversibilidade dos tratamentos cirúrgicos e/ou odontológicos.

Diferentes estudos referem ainda que uma percentagem elevada de pacientes com DTM apresenta altos níveis de incapacidade, dor e uma perda relevante das funções de mobilização orais e cranio-mandibulares. Por esse motivo não devemos desvalorizar qualquer sintomatologia, recomendando-se um diagnóstico e tratamentos tão precoces quanto possível (Fisioterapia en El Transtorno TemporoMandibular).

Por isso, preste atenção aos sintomas e manifestações desta disfunção! – Se vive rodeado de Stress, se range ou aperta os dentes e/ou acorda cansado apresentando rigidez mandibular, tem dores de cabeça frequentes, dor cervical ou escuta recorrentemente barulhos no seu ouvido, poderá ter chegado o momento de consultar com um especialista em Disfunção Temporomandibular.

A Fisioterapia tem demonstrado ser uma primeira abordagem eficaz para o tratamento da Disfunção Temporomandibular. Através de terapia manual, exercício dirigido, educação terapêutica é possível reduzir a dor, normalizar a mobilidade e reeducar a musculatura, melhorando assim a qualidade de vida do paciente.

Este artigo foi redigido para a Clínica Médica do Porto por Júlia Panadero, Fisioterapeuta, Especialista em Fisioterapia Infantil e Disfunção Temporomandibular.

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