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Vamos aprofundar a Síndrome dos Ovários Poliquísticos. Passo a passo explicamos-lhe o que são quistos, a sua classificação, manifestações, sintomas diagnóstico e terapêutica!

Os quistos correspondem a pequenos sacos ou bolsas contendo matérias fluídas ou semi-fluídas que podem aparecer em diversas zonas do nosso corpo. Quando aparecem nos ovários, designam-se de quistos ováricos!

Os quistos ováricos localizam-se no ovário em si, no seu interior, ou na sua superfície.
A grande maioria são pequenos e inócuos desaparecendo sem qualquer tratamento. O corpo encarrega-se de os eliminar de forma natural e nestes casos a mulher só tem conhecimento da sua presença através de exames imagiológicos tais como a ecografia. Porém, por vezes o desconforto e a sintomatologia podem surgir ou porque o quisto atingiu um tamanho excessivo, ou quando ocorre a sua ruptura ou torção (situação em que ocorre o corte de fornecimento de sangue ao quisto). Nessas situações é natural algumas mulheres queixarem-se de sintomas tais como os descritos abaixo:

  • Dor no abdómen, pélvis e que pode irradiar para a zona lombar;
  • Sensação de enfartamento ou indigestão;
  • Dor ou urgência intestinal;
  • Dispareunia (dor durante o acto sexual);
  • Náusea e indisposição;

Tipos de Quistos Ováricos

Os quistos ováricos não são todos iguais, apresentando diferentes morfologias e tipologias. Podemos genericamente diferenciar várias categorias de quistos (clique no quadro abaixo para saber mais sobre cada tipologia específica):

  • Quistos Funcionais;
  • Quistos Dermóides;
  • Cistoadenomas;
  • Endometriomas;
  • Síndrome do Ovário Poliquístico;

São quistos que se formam de forma espontânea durante o ciclo ovulatório. Ocorrem quando o folículo aumenta de tamanho (Quistos Foliculares), ou quando esse processo ocorre com o Corpo Lúteo (Quistos do Corpo Lúteo). Este tipo de quisto é habitualmente inócuos e desaparece após alguns meses.

Tendem a ocorrer em mulheres mais jovens e são formados a partir de células ováricas que em situação normal dariam origem a óvulos ou outros tecidos.

Desenvolvem-se a partir das camadas mais externas dos próprio ovário. São relativamente vulgares, habitualmente benignos embora possam sofrer uma conversão para a malignidade, e são constituídos por um líquido mais espesso. Apresentam um crescimento progressivo, mas de forma contrária aos quistos foliculares, não apresentam tendência para regredir espontaneamente podendo atingir um tamanho considerável.

São quistos que surgem associados à condição de endometriose (crescimento anormal do tecido do endométrio em zonas inespecíficas do útero). Pelas suas características de desenvolvimento, estes quistos contém sangue no seu interior, apresentando por isso uma coloração castanha avermelhada, motivo pelo qual são apelidados coloquialmente por “quistos de chocolate”.

Embora o seu aparecimento ocorra no endométrio, apresentam capacidade de migrar para os ovários, justificando a sua classificação como quistos ováricos.

Correspondem a um síndrome que resulta num conjunto de pequenos quistos que surgem nos ovários.

O SOP é associado a inúmeros desequilíbrios hormonais, bem como representa uma das principais causas de infertilidade entre as mulheres.

Caracterização da Síndrome do Ovário Poliquístico – Sinais e Sintomas

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A Síndrome do Ovário Poliquístico (SOP) afeta 5-20% das mulheres em idade fértil, tendo sido descrita pela primeira vez em 1935, através da observação de mulheres que apresentavam sintomas de amenorreia (ausência de menstruação), hirsutismo (crescimento anormal de pelos no corpo e face) e dilatação ovárica com apresentação de quistos. Desde essa altura até aos dias de hoje esta patologia tem sido foco de atenção e constante investigação.

A SOP é uma das maiores causas de infertilidade em mulheres em idade reprodutiva, e manifesta-se como um conjunto de sinais e sintomas que afetam os ovários e a ovulação, nomeadamente:

  • Presença de quistos nos ovários (folículos, contendo óvulos imaturos que não chegam a ovular);
  • Níveis elevados de hormonas masculinas (androgénios);
  • Menstruação irregular ou inexistente (amenorreia);

Este três sinais/sintomas característicos da SOP, que acarretam enormes consequências para a fertilidade da mulher, podem ainda ser ser percursoras de outras patologias, de entre os quais se destaca o Síndrome Metabólico (que se manifesta pelo Aumento da Pressão Arterial, Aumento de Açúcar no Sangue, Diminuição de HDL e Aumento de LDL), Doença Cardíaca, Diabetes, Apneia do Sono ou mesmo Cancro do Endométrio.

Há porém outros sinais mais difusos aos quais a portadora de Síndrome do Ovário Poliquístico deverá estar atenta, e que fundamentalmente se relacionam com as características do desequilíbrio hormonal (ver quadro abaixo).

Sinais e Sintomas que podem surgir associados ao Síndrome dos Ovários Poliquísticos

  • Dificuldade em perder peso;
  • Pele oleosa ou acneica;
  • Dores de cabeça idiopáticas (sem causa conhecida);
  • Crescimento de cabelo em zonas inusitadas (hirsutismo);
  • Perda de Cabelo (alopécia androgénica);
  • Sensação de astenia constante (falta de energia, cansaço sem causa aparente);
  • Dificuldades na concepção;

Ciclos Menstruais nas Portadoras de Síndrome do Ovário Poliquístico

Se é um facto que cerca de 30% das pacientes com Síndrome do Ovário Poliquistico apresentam ciclos regulares, nas restantes 70% os ciclos tendem a ser longos (mais de 35 dias) e /ou realizando menos de 8 menstruações por ano. Tal circunstância indicia a existência de ciclos anovulatórios (ciclos menstruais em que não ocorreu a libertação do óvulo).

Ainda a este nível, mas observando pelo prisma inverso, refira-se que 85-90% das mulheres com ciclos anovulatórios e 30-40% das mulheres sem menstruação (amenorreia) têm Síndroma dos Ovários Poliquísticos.

Causas possíveis do Síndrome do Ovário Poliquístico

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Não se sabe exatamente o que causa a SOP, mas estão descritas algumas relações entre esta Síndrome e outras patologias, assumindo-se por isso que poderá existir alguma relação a esse nível. São exemplo:

Resistência à insulina (50-80% das pacientes com SOP), Obesidade (61% das pacientes com SOP) e Diabetes (27% de mulheres em pre-menopausa com SOP)

  • A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas, que ajuda o corpo a transformar açúcares, disponibilizando energia para o corpo. Numa explicação de forma simplista, podemos afirmar que uma desregulação deste mecanismo de utilização da insulina pelas células, obriga o organismo a solicitar mais esforço do pâncreas. Por seu turno esta insulina “extra” leva o ovário a produzir mais hormonas masculinas, bloqueando assim o mecanismo ovulatório.
  • A obesidade é a maior causa de resistência à insulina, e juntos aumentam o risco de Diabetes Tipo 2, constituindo-se como uma das causas possíveis para o surgimento do Síndrome dos Ovários Poliquísticos.

Desregulação do Eixo Hipotálamo-Pituitária-Ovário

  • A presença de uma quantidade anormal de hormonas androgénicas no liquido amniótico afeta diretamente o desenvolvimento fetal do Eixo Hipotalamo-Pituitária-Ovário, desregulando a produção de Progesterona, FSH, LH, Estrogénio, hormonas essenciais para a ovulação e regulação do ciclo menstrual.

Diagnóstico do Síndrome do Ovário Poliquístico

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No diagnóstico da Síndrome do Ovário Poliquistico, o médico tem em conta o historial da paciente, os resultados de análises sanguíneas e a pesquisa da presença de quistos após a análise do resultado imagiológico.

Para além da sintomatologia habitual, o clínico irá prestar atenção a outros sintomas que podem surgir como secundários à patologia. entre eles referem-se:

  • Acne – presente em 15 a 25% das mulheres com SOP;
  • Hirsutismo – presente em 60% das mulheres com SOP;
  • Aumento de Peso – a prevalência de obesidade em mulheres com SOP, entre os 12 aos 19 anos, aumenta de 17% para 60%;
  • Alopécia androgénica (perda de cabelo por excesso de hormonas masculinas)

Em termos analíticos, a mulher com Síndrome do Ovário Poliquistico, apresenta normalmente valores de LH, Testosterona, Progesterona e DHEA fora dos parâmetros de normalidade. O valor da Hormona Anti-Mülleriana está habitualmente mais elevado que o normal, sendo que 97% das mulheres com concentração dessa hormona acima de 10ng/mL têm SOP.

Tratamento do Síndrome do Ovário Poliquístico

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A terapêutica foca-se em primeiro lugar na normalização dos distúrbios hormonais e ováricos da SOP (Anovulação, Irregularidade do ciclo menstrual e Hisurtismo) e depois atende-se ao controlo e regulação das hormonas reprodutivas e dos níveis de insulina.

Numa primeira linha de medidas não terapêuticas, é por isso aconselhado:

  • Aumento do exercício físico (em regime e intensidade adequadas à capacidade individual de cada um) – praticar exercício físico moderado durante 12 a 24 semanas tende a ajudar a regularizar os ciclos ovulatório e menstrual;
  • De modo a acomodar as modificações causadas pela eventual desregulação dos níveis de insulina e de processos inflamatórios associados ao SOP, recomendam-se também a este nível modificações no regime alimentar. Uma dieta adequada pode e deve incluir Alimentos de baixo índice glicémico, vegetais ricos em fibras, proteínas magras, alimentos e ou especiarias “anti-inflamatórios”, suplementos de omega 3, vitamina D e crómio. Por outro lado, devem ser evitados Hidratos de Carbono refinados e outros açucares, bem como outros alimentos tendencialmente pró-inflamatórios (sal, farináceos, óleos e gorduras processadas, carnes processadas)

Já o tratamento terapêutico convencional passa pela administração de fármacos que irão ajudar a normalizar as funções orgânicas e repor o equilíbrio hormonal, bem como combater a sintomatologia associada à patologia. É assim habitual recorrer a:

  • Fármacos indutores da ovulação (ex: Clomifeno),
  • Medicamentos usados no tratamento de doenças endocrinas (ex: Metformina)
  • Pílulas contraceptivas de controlo hormonal da Progesterona e Estrogénio
  • Medicação antiandrogénia, bloqueadora da produção, por exemplo, da testosterona

Ao considerar uma abordagem não convencional, a Medicina Tradicional Chinesa deve ser uma opção a ter em conta. Ao recorrer a técnicas de acupuntura, massagem TuiNa, fitoterapia e aconselhamento dietético, esta terapêutica tem vindo a demonstrar bons resultados no tratamento da Síndrome do Ovário Poliquistico, quer actuando ao nível das suas causas e também amenizando a sua sintomatologia.

Artigo escrito e revisto para a Clínica Médica do Porto por Tatiana Calvão Sousa, terapeuta de Medicina Chinesa e Acupuntura e especialista em Saúde Feminina.

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