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2021 – Ano Novo, Saúde Nova. O que Aprendemos com a Pandemia e com o Vírus da COVID-19

O final do ano é uma altura em que habitualmente fazermos uma reflexão sobre os doze meses anteriores. Neste ano, esta reflexão será marcada pelas alterações que a pandemia causou à nossa rotina e perspetiva de vida.

É também nesta altura que projetamos novos planos e compromissos. Ter mais dinheiro, mais amor, mais tempo livre, deixar de fumar, melhorar a alimentação são desejos comuns. Para o ano novo que agora começa, a saúde foi inevitavelmente o pedido que todos já fizemos.

Mas pedir não basta. Se a pandemia mostrou a importância da saúde e as consequências da falta dela, será este um motivador para a adoção de comportamentos que melhorarão a saúde individual e coletiva em 2021? Que aprendizagens levaremos para o novo ano?

Para ajudar a esta reflexão, vamos relembrar o que aconteceu no turbulento ano de 2020.

Como um vírus escreveu a história de 2020

O que são vírus e o exemplo dos coronavírus

Os vírus são partículas microscópicas que precisam de estar dentro de uma célula para se reproduzirem e sobreviverem. São microorganismos simples, mas que podem causar doenças no Homem e animais. Os coronavírus caracterizam-se por terem uma estrutura em coroa, daí o seu nome, e por causarem uma infeção no sistema respiratório. É precisamente um novo coronavírus, designado SARS-CoV-2 e inicialmente detetado em Wuhan em dezembro de 2019, o causador desta crise pandémica e da doença COVID19.

Papel da fácil transmissão na pandemia

A atual evidência científica mostra que este vírus transmite-se entre pessoas através de gotículas respiratórias que alguém contaminado emite quando fala, tosse ou espirra e que entram em contacto com a boca, olhos ou nariz de outra pessoa. A transmissão também pode ocorrer igualmente por contacto com superfícies contaminadas. Este fácil contágio, adicionado às viagens frequentes  e enorme mobilidade de que tínhamos gozávamos até então, permitiram que o vírus de espalhasse rapidamente por todo o mundo.

Tratando-se de um vírus e de uma doença desconhecidos, e por causar uma doença respiratória que, nos casos mais graves, exige hospitalização e ventilação, os governos, apoiados pelas autoridades de saúde, optaram um confinamento inédito na história, pois o risco dos hospitais ultrapassarem o seu limite de resposta levaria à perda de inúmeras vidas. Este e os sucessivos confinamentos parciais que tivemos em Portugal, assim como as limitações em vigor desde então, afetaram várias dimensões na nossa saúde – física, emocional, social – e abriram uma reflexão que começou no início da pandemia: O que realmente tem valor na vida? Andamos distraídos com coisas sem importância? Estamos a cuidar de nós e dos outros?

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Unidos na saúde e na doença

Relembrar as regras básicas

Com o objetivo de parar ou pelo menos minimizar a disseminação da COVID19, foi-nos pedido que adotássemos procedimentos que têm como objetivo a proteção de todos. Por exemplo, a Direção-Geral da Saúde criou a “Regra dos 5” para sumarizar os cinco procedimentos mais importantes que ajudam a prevenir o contágio. São cinco regras fáceis de lembrar:

Muitas orientações precisamente isso mesmo, (apenas) orientações e não obrigações. Sabemos que maior eficácia é alcançada quando a opção de mudança parte de cada um de nós, e não da coerção, legislativa ou de outro tipo. Contudo, a falta de aderência a regras de conduta tem motivado a implementação de leis que obrigam a esse comportamento. Nesta pandemia não foi diferente. Para reforçar a prevenção da COVID19, foram impostos confinamentos, restrições na circulação e uso obrigatório de máscara em determinadas situações.

Assim, independentemente de ser obrigatório ou aconselhável, nesta pandemia verificamos que as ações individuais têm de facto efeitos globais. Não apenas à escala da nossa família, mas da nossa cidade, país e planeta.

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Uma oportunidade de mudança

Há momentos em que percebemos a fragilidade da vida e da saúde. Esta pandemia é um desses momentos, demonstrando que a saúde é um pilar tão importante que a falta dele abala a economia global. O mundo paralisou devido a uma doença de agente invisível. Resta saber se esta valorização da saúde é temporária ou permanente, se iremos retornar aos hábitos individualistas e deletérios para o nosso bem-estar.

O efeito na saúde mental

Uma das consequências mais impactantes dos confinamentos e do teletrabalho foi o abalo na saúde mental. O isolamento, o distanciamento e a falta de contacto com outras pessoas fizeram aumentar os níveis de stress e de ansiedade e levaram muitas pessoas a procurar respostas em soluções tais como a meditação, as técnicas de visualização criativa, entre outros. Para ajudar as pessoas a lidarem com estes efeitos, a Ordem dos Psicólogos esteve muito ativa e produziu diversos documentos de apoio à saúde mental, relembrando a importância da atividade física, de manter o contacto, ainda que à distância, de pedir ajuda e de limitar a exposição a notícias (9). Na verdade, passou a falar-se de saúde mental com muito mais abertura do que anteriormente, o que reflete uma mudança bastante positiva.

Mudar comportamentos é difícil

A mudança de comportamentos é um desafio em saúde. Muitas vezes são doenças graves ou a eminência deste tipo de patologias que impulsionam essa mudança, a exemplo do fumador veterano que só depois de sofrer um enfarte do miocárdio pensa deixar de fumar. Mas se por um lado temos grande capacidade de adaptação, por outro temos velhos hábitos enraizados, aos quais tendemos a voltar.

Neste jogo de mudança não entram apenas as características individuais de cada um de nós. De acordo com as ciências comportamentais, a mudança sustentada acontece quando todo o ambiente facilita e promove esse comportamento. Neste sentido, a transformação global que esta pandemia trouxe pode favorecer alterações sólidas e positivas na forma como vemos a saúde e cuidamos dela.

A plataforma YouGov (8) revelou, por exemplo, que, desde o início da pandemia, o uso de máscara em espaços públicos de países como França, Espanha ou Reino Unido, passou de cerca de 10% para cerca de 80%. Na China, Hong Kong e noutros países afetados por surtos anteriores, o uso de máscara já era prática corrente e manteve-se acima dos 80%. Inclusivamente, nesses locais, o uso de máscara é já considerado um comportamento cívico.

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Lições aprendidas ou por aprender?

As crises são oportunidades. Evidenciam o que precisa ser melhorado, revelando aprendizagens para responder de forma mais eficaz em ocasiões futuras.

Ao longo da pandemia temos confirmado, pela nossa própria experiência, a responsabilidade que cada um de nós tem sobre a saúde individual e coletiva.  No entanto, se esta aprendizagem está bem consolidada em cada um de nós, só o tempo dirá. Lembramos que, numa perspetiva pessoal, é muito importante compreender que o médico ou terapeuta atua como um facilitador da saúde do paciente, mas é da responsabilidade do próprio fazer as alterações que são necessárias para melhorar a sua vida, tal como fazer mais exercício físico ou mudar a alimentação. Conforme disse o Dr.  Tedros Adhanom, Diretor Geral da Organização Mundial de Saúde, este é também um tempo de “compreender melhor como as pessoas e sociedades se comportam e fazem decisões que se relacionam com a sua saúde”.

Assim, no final de um ano difícil, que aprendizagens levaremos para 2021 e que compromissos assumiremos em prol da saúde de toda a comunidade? Se os benefícios individuais de alcançarmos os nossos objetivos impulsionam a ação, também a responsabilidade cívica pode ser um grande motivador para a mudança.

Desejemos mais consciência e maturidade social e maior capacidade de perceber o que é realmente importante. Desejemos saúde para todos nós!

Dezembro de 2020

Data de Publicação: 1/2021

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