Plagiocefalia: o que é e como tratar (Artigo da Clínica Médica do Porto)

Como identificar uma situação de plagiocefalia no meu bebé? A Plagiocefalia é um problema estético? Como Identificar Assimetria Craniana? Quem trata a Plagiocefalia? Quando devo recorrer a um neuro-cirurgião? Terei que colocar um capacete de correção no meu bebé? O meu bebé vai recuperar completamente?

Estas são apenas algumas de muitas questões que são colocadas na prática clínica diária e às quais procuraremos responder neste artigo.

Efectivamente a Plagiocefalia é um dos principais motivos da consulta de Osteopatia Pediátrica e os papás recorrem habitualmente à consulta quando verificam que o seu bebé nasce ou tem a “cabeça torta” e que portanto existe uma assimetria na cabeça do bebé ou quando a/o Pediatra identifica essa mesma assimetria.

Plagiocefalia – Caracterização e Conceitos

A Plagiocefalia não é (apenas) uma questão estética! Embora não seja normal o bebé ter um lado da cabeça maior do que o outro ou ter a cabeça oval (como habitualmente é identificada a plagiocefalia), essa não deve ser a maior preocupação dos pais. As assimetrias craniais e consequentemente faciais podem trazer problemas futuros para a criança, das quais se destacam as que enumeramos a seguir.

Complicações da Plagiocefalia nos Bebés e Recém Nascidos

  • Dificuldades de sucção;
  • Dificuldades de alimentação e/ou fala;
  • Otites de repetição;
  • Alterações visuais;
  • Escolioses;
  • entre outros.

Em casos mais graves, onde existe uma craniossinostose (encerramento precoce de sutura), podem mesmo ocorrer limitações no desenvolvimento cerebral com sequelas neurológicas.

Nestas circunstâncias o neurocirurgião desempenha um papel fundamental no processo, uma vez que pode auferir a gravidade da Plagiocefalia, prescrever a realização de exames de diagnóstico para se certificar da existência ou não de craniossinostose (felizmente rara) e, eventualmente prescrever o uso de capacete (outra das questões que frequentemente nos é colocada pelos pais).

Plagiocefalia: Caracterização e Conceitos

O Que é e Como Identificar uma Plagiocefalia

A Plagiocefalia define-se como uma malformação assimétrica do crânio originada pela pressão constante exercida numa mesma região. O termo Plagiocefalia significa literalmente cabeça obliqua (ou cabeça oval), uma vez que é essa perceção visual que temos quando observamos a cabeça do bebé. Poderemos ainda encontrar outras terminologias sinónimas, como modelação posterior benigna ou plagiocefalia posterior, quando a deformação se inicia na parte posterior do crânio, ou plagiocefalia sem sinostose quando não há um verdadeiro encerramento das suturas cranianas.

Vários fatores podem contribuir para a condição. Está demonstrado que quando a cabeça do bebé permanece numa mesma posição por longos períodos de tempo, poderá haver tendência para aplanar devido à pressão externa. Em outros casos, pode acontecer que os bebés já nasçam com este aplanamento. Isto acontece porque quando o bebé nasce, a sua cabeça e as estruturas ósseas que a compõe estão em plena formação e crescimento, sendo nesta fase extremamente moldáveis e deformáveis. Os ossos do crânio não estão completamente fundidos e a membrana que os une tende a solidificar com o passar do tempo num processo designado ossificação membranosa.

A este propósito, refira-se a título de exemplo a ”moleirinha”, que não é mais do que o ponto de união entre o osso Frontal e os ossos Parietais. Quando passamos a mão na cabeça do bebé nesta área, na parte mais anterior do crânio, sentimos uma diferença significativa na dureza do tecido, que traduz precisamente um dos pontos principais de união e de crescimento do crânio (chamada de fontanela Bregmática).

Factures de Risco na Palgiocefalia: Artigo da Clínica Médica do Porto

Quatro (4) Fatores de Risco que Competem para o Surgimento da Plagiocefalia

1. Fatores mecânicos intra-uterinos

O achatamento do osso occipital pode ser causado por fatores mecânicos que atuam sobre a cabeça dentro do útero. A maioria das deformações craniais que se apresentam no nascimento são resultado de modelação intra-uterina ou durante parto.

Também a gravidez gemelar (gravidez de gémeos) pode constituir um fator de risco, por contribuir para uma diminuição do espaço uterino.

2. Torcicolo muscular

Outra das causas da Plagiocefalia deformacional é o torcicolo muscular. A posição da cabeça mantida em constante inclinação para um lado com rotação contra-lateral, induz uma pressão intensa nos ossos posteriores do crânio (principalmente o occipital) do lado da rotação preferida que pode levar ao aparecimento da plagiocefalia. Saiba mais acerca do Torcicolo Congénito em Bebés.

3. Prematuridade

Os bebés prematuros correm maior risco de sofrer de Plagiocefalia. Isto sucede porque o uso de ventiladores por longos períodos de tempo nas unidade de cuidados intensivos, obriga o recém-nascido a permanecer na mesma posição durante muito tempo o que aumenta a probabilidade de deformações craniais (não esqueçamos que os ossos do crânio fortalecem-se e consolidam-se durante as 10 últimas semanas de gestação).

4. Posição de decúbito supino (dorsal) a dormir

Os bebés que dormem de barriga para cima (em decúbito supino) ou em cadeiras auto, mantendo-se imóveis por períodos prolongados de tempo, correm maior risco de padecer de Plagiocefalia quando comparados com os demais. ATENÇÃO: o bebé DEVE ser colocado de barriga para cima enquanto dorme para evitar a morte súbita. No entanto, sempre que está acordado, pode e deve ser colocado de barriga para baixo (Tummy Time). Leia também este artigo para saber mais acerca do Tummy Time e do adequado posicionamento do bebé ou ainda da relevância das decisões que tomamos enquanto pais e que condicionam o desenvolvimento dos nossos bebés.

Há alguns sinais que podem alertar os recém-papás para a presença da condição de Plagiocefalia nos seus bebés, e que se enumeram abaixo:

Sinais e Indícios de Potencial Plagiocefalia

  • O bebé roda a cabeça sempre para o mesmo lado;
  • Apresenta um olho mais fechado;
  • Parece ter uma bochecha mais “cheia”;
  • Parece ter um lado da testa mais proeminente;
  • Uma Orelha apresenta-se “mais aberta”;
  • A chupeta desvia para um lado quando faz sucção;
  • Dorme sempre com a cabeça rodada para o mesmo lado;

A seguir, falaremos da forma como podemos intervir neste tipo de situações de forma a conseguir uma muito desejada correcção destes desvios e ainda de formas como podemos ajudar a prevenir o seu aparecimento. Leia também o artigo sobre a importância do Posicionamento do Bebé Recém Nascido na prevenção de problemas como a Plagiocefalia.

Identificar uma Plagiocefalia no Bebé e Recém Nascido

Como Corrigir a Plagiocefalia – Osteopatia Pediátrica

As técnicas utilizadas no tratamento recorrendo a Osteopatia Pediátrica, são suaves e indolores. As intervenções realizadas tem fundamentação no conhecimento da anatomofisiologia e biomecânica do bebé, e o objetivo é o de corrigir o posicionamento dos diferentes ossos do crânio, por forma a restabelecer o equilíbrio e a simetria, normalizar as suturas e suprimir as sobreposições que travam o crescimento ósseo. Os tratamentos realizam-se habitualmente com uma periodicidade semanal, sendo ajustados à condição do bebé.

É importante ter consciência de que o crânio do bebé vai ossificando á medida que vai crescendo. Por esse motivo o tratamento Osteopático deve ser iniciado tão cedo quanto possível, idealmente numa fase em que o bebé ainda apresenta o crânio moldável. É uma verdadeira corrida contra o tempo, porque à medida que o tempo passa, diminuem as probabilidades de uma recuperação eficaz!

Na primeira consulta de correcção da Plagiocefalia é habitualmente realizada uma avaliação exaustiva do Recém-Nascido e ponderada a gravidade da assimetria  – Leve, Moderada ou Grave. Esta análise é realizada com recurso a um Craniómetro – ferramenta que permite calcular o índice de Plagiocefalia – e que nos remete para tabelas pré-definidas que facilitam o cálculo do crescimento remanescente do crânio, para assim ponderar a probabilidade de uma recuperação completa. Nesta intervenção inicial são analisados igualmente outros parâmetros, não menos importantes, como por exemplo os reflexos primitivos e o desenvolvimento motor do bebé.

Não há contraindicações para o início precoce do tratamento. Este pode e deve ser iniciado logo que se verifiquem as alterações que o justifiquem. Aliás, em algumas Unidades de Cuidados Intensivos, o tratamento é de imediato iniciado em bebés prematuros, pelos riscos acrescido de estes bebés virem a desenvolver plagiocefalia.

Da mesma forma, as contraindicações para a realização de Osteopatia em bebés são raras, devendo ponderar-se o binómio risco/benefício quando o bebé sofra de patologia grave. Nestes casos a intervenção deverá ser ponderada com o parecer do médico assistente.

Tratamento da Plagiocefalia Recorrendo à Osteopatia Pediátrica

Envolvimento dos Cuidadores na Prevenção e Acompanhamento da Plagiocefalia do Bebé

É frequente e fundamental transmitir aos papás que metade do tratamento da Plagiocefalia do seu bebé é o trabalho que se faz em casa!

Para o sucesso do tratamento e para uma recuperação completa é fundamental a envolvência multidisciplinar de todos os intervenientes que lidam diariamente com o bebé, sejam eles o seu médico, o seu fisioterapeuta ou osteopata e claro, acima de tudo, os seus papás. É por isso vulgar recomendarem-se algumas sugestões de exercícios que devem ser adotados pelos cuidadores para ajudar a corrigir as situações de Plagiocefalia.

Conselhos Exercícios e Dicas para Evitar a Plagiocefalia

  • Posicionar o bebé, de modo a que, o occipital mais proeminente fique apoiado sobre o colchão;
  • Mudar frequentemente a posição do berço, “obrigando” o bebé a olhar para o lado negligenciado;
  • Realização de exercícios de mobilização cervical (rotação e inclinação) que são ensinados nas consultas;
  • Uso de almofada Mimos® (sempre por indicação e sempre que recomendável);
  • Promover o Tummy Time;
  • Reforço dos estímulos visuais e sonoros no lado negligenciado para forçar a rotação.

Aplicação prática (video Instagram) dos exercícios de mobilização cervical para correcção da plagiocefalia.

A Osteopatia tem vindo a assumir um papel preponderante no tratamento desta, e de outras patologias do Recém-Nascido. Felizmente esta abordagem multidisciplinar – Pediatra, Neurocirurgião, Osteopata, Fisioterapeuta e os cuidadores do bebé – é uma realidade cada vez mais patente, contribuindo decisivamente para uma reabilitação bem-sucedida.

Artigo redigido por Tiago Monteiro, Fisioterapeuta e Osteopata da Clínica Médica do Porto, Especialista em Osteopatia Pediátrica. Saber mais acerca da Consulta de Osteopatia Pediátrica.

Clique no link para saber mais acerca do Desenvolvimento do Bebé e a forma como as decisões que tomamos enquanto progenitores condicionam a saúde futura dos nossos bebés.

Data de Publicação: 03/2021

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